quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Câncer e hábitos alimentares: uma relação perigosa!

Muitos componentes da alimentação têm sido associados com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto, próstata, esôfago e estômago.

Alimentação de risco

Alguns tipos de alimentos, se consumidos regularmente durante longos períodos de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar. Esses alimentos devem ser evitados ou ingeridos com moderação.
Neste grupo estão incluídos os alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, lingüiças, mortadelas, dentre outros. Existem também os alimentos que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos. Por exemplo, os nitritos e nitratos usados para conservar alguns tipos de alimentos, como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados, se transformam em nitrosaminas no estômago. As nitrosaminas, que têm ação carcinogênica potente, são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago observados em populações que consomem alimentos com estas características de forma abundante e freqüente. Já os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.
Os alimentos preservados em sal, como carne-de-sol, charque e peixes salgados, também estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em regiões onde é comum o consumo desses alimentos. Antes de comprar alimentos, compare a quantidade de sódio nas tabelas nutricionais dos produtos.

Cuidados ao preparar os alimentos

O tipo de preparo do alimento também influencia no risco de câncer. Tente adicionar menos sal na hora de fazer a comida, aumentando o uso de temperos como azeite, alho, cebola e salsa. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de até 5 g de sal ou 2 g de sódio por dia, ou seja, o equivalente a uma tampa de caneta cheia. Ao fritar, grelhar ou preparar carnes na brasa a temperaturas muito elevadas, podem ser criados compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e coloretal. Por isso, métodos de cozimento que usam baixas temperaturas são escolhas mais saudáveis, como vapor, fervura, pochê, ensopado, guisado, cozido ou assado.

Fibras x gordura

Estudos demonstram que uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de gorduras e altos níveis calóricos (hambúrguer, batata frita, bacon etc.), está relacionada a um maior risco para o desenvolvimento de câncer de cólon e de reto, possivelmente porque, sem a ingestão de fibras, o ritmo intestinal desacelera, favorecendo uma exposição mais demorada da mucosa aos agentes cancerígenos encontrados no conteúdo intestinal. Em relação a cânceres de mama e próstata, a ingestão de gordura pode alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco da doença.
Há vários estudos epidemiológicos que sugerem a associação de dieta rica em gordura, principalmente a saturada, com um maior risco de se desenvolver esses tipos de câncer em regiões desenvolvidas, principalmente em países do Ocidente, onde o consumo de alimentos ricos em gordura é alto. Já os cânceres de estômago e de esôfago ocorrem mais freqüentemente em alguns países do Oriente e em regiões pobres onde não há meios adequados de conservação dos alimentos (geladeira), o que torna comum o uso de picles, defumados e alimentos preservados em sal.
Atenção especial deve ser dada aos grãos e cereais. Se armazenados em locais inadequados e úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo Aspergillus flavus, o qual produz a aflatoxina, substância cancerígena. Essa toxina está relacionada ao desenvolvimento de câncer de fígado.

Como prevenir-se

Algumas mudanças nos nossos hábitos alimentares podem nos ajudar a reduzir os riscos de desenvolvermos câncer. A adoção de uma alimentação saudável contribui não só para a prevenção do câncer, mas também de doenças cardíacas, obesidade e outras enfermidades crônicas como diabetes.
Desde a infância até a idade adulta, o ganho de peso e aumentos na circunferência da cintura devem ser evitados. O índice de massa corporal (IMC) do adulto (20 a 60 anos) deve estar entre 18,5 e 24,9 kg/m2. O IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso. Com IMC acima de 30 a pessoa é considerada obesa. O IMC é calculado dividindo-se o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em m). 
Frutas, verduras, legumes e cereais integrais contêm nutrientes, tais como vitaminas, fibras e outros compostos, que auxiliam as defesas naturais do corpo a destruírem os carcinógenos antes que eles causem sérios danos às células. Esses tipos de alimentos também podem bloquear ou reverter os estágios iniciais do processo de carcinogênese e, portanto, devem ser consumidos com freqüência.
Hoje já está estabelecido que uma alimentação rica nesses alimentos ajuda a diminuir o risco de câncer de pulmão, cólon e reto, estômago, boca, faringe e esôfago. Provavelmente, reduzem também o risco de câncer de mama, bexiga, laringe e pâncreas, e possivelmente o de ovário, endométrio, colo do útero, tireoide, fígado, próstata e rim.
As fibras, apesar de não serem digeridas pelo organismo, ajudam a regularizar o funcionamento do intestino, reduzindo o tempo de contato de substâncias cancerígenas com a parede do intestino grosso.
A tendência cada vez maior da ingestão de vitaminas em comprimidos não substitui uma boa alimentação. Os nutrientes protetores só funcionam quando consumidos através dos alimentos, o uso de vitaminas e outros nutrientes isolados na forma de suplementos não é recomendável para prevenção do câncer.
Vale a pena frisar que a alimentação saudável somente funcionará como fator protetor, quando adotada constantemente, no decorrer da vida. Neste aspecto devem ser valorizados e incentivados antigos hábitos alimentares do brasileiro, como o uso do arroz com feijão.

Como se alimenta o brasileiro

No Brasil, observa-se que os tipos de câncer que se relacionam aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por câncer. O perfil de consumo de alimentos que contêm fatores de proteção está abaixo do recomendado em diversas regiões do país. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, que em 2010 entrevistou 54.367 pessoas, o padrão alimentar no país mudou para pior.
Apesar de consumir mais frutas e verduras, o brasileiro continua a comer muita carne gordurosa (1 em cada 3 entrevistados) e tem optado por alimentos práticos, como comidas semiprontas, que são menos nutritivas. A ingestão de fibras também é baixa, onde se observa coincidentemente, uma significativa freqüência de câncer de cólon e reto. O feijão, alimento rico em ferro e fibras, que tradicionalmente fazia o famoso par com o arroz, perdeu espaço na mesa dos brasileiros. Para agravar o quadro, eles também tem se exercitado menos. 
Em 2006, 71,9% da população revelava comer o grão ao menos cinco vezes na semana. Em 2010, a média caiu para 65,8%. No estado do Rio, a média de consumo do feijão ainda é alta: 71,7%.
A queda na média nacional pode ser atribuída às mudanças na dinâmica da família brasileira, que tem tido cada vez menos tempo de preparar comida em casa e o feijão tem preparo demorado. O consumo de gorduras é mais elevado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ocorrem as maiores incidências de câncer de mama no país.
Outro dado negativo é que os refrigerantes e sucos artificiais - que têm alta concentração de açúcar - têm ganhado espaço na preferência dos brasileiros. Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez por semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo quase que diário aumentou 13,4% em um ano. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a popularidade dos refrigerantes é ainda maior: 42,1% tomam refrigerantes quase todos os dias. Apesar de o mercado oferecer cada vez mais versões com menos açúcar, como os diet e os light, somente 15% dos brasileiros optam por eles.
Os jovens também preferem alimentos como hambúrguer, cachorro-quente, batata frita que incluem a maioria dos fatores de risco alimentares acima relacionados e que praticamente não apresentam nenhum fator protetor. Essa tendência se observa não só nos hábitos alimentares das classes sociais mais abastadas, mas também nas menos favorecidas. O consumo de alimentos ricos em fatores de proteção, tais como frutas, verduras, legumes e cereais, tem aumentado, mas ainda é baixo. Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, 30,4% da população com mais de 18 anos comem frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. Entre os entrevistados, 18,9% disseram consumir cinco porções diárias (cerca de 400 gramas) desses alimentos, mais do que o dobro do percentual registrado em 2006.

Texto extraído do site: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=18#

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Hipertensão arterial


Vale lembrar que a pressão sanguínea cronicamente elevada afeta os sistemas cardíaco, cerebrovascular e renal. Cuide-se!
Para um acompanhamento detalhado consulte o Nutricionista.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Os Riscos dos Remédios para Emagrecer.

Muitas pessoas não medem esforços para emagrecer, colocando até mesmo sua saúde em risco. A procura de remédios para emagrecer aumentou muito no Brasil, assim como seu uso. De acordo com o relatório divulgado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão das Nações Unidas, as pessoas tem consumidos cada vez mais esses tipos de remédios, correndo sérios riscos devido aos efeitos colaterais que podem ser causados.
Muitos acabam se preocupando tanto com a aparência, com a estética, com os padrões de beleza que são impostos e não percebem os perigos que podem ser causados pelo uso desses remédios
O consumo cada vez maior dos chamados anorexígenos, substâncias como fentermina, fenproporex, anfepramona e fendimetrazina, causam grande preocupação nos especialistas.
Os profissionais da área dizem que, um dos principais fatores para essa situação está na atitude dos médicos. Justifica-se: a receita de anorexígenos acontece freqüentemente a pedido do paciente; se não houvesse a demanda, a prescrição não existiria. Além disso, esses medicamentos não tem resolvido o problema, que seria em relação a perda de peso e a situação está fugindo do controle.
Segundo o presidente da Abesco (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), muitas pessoas que utilizam anfetaminas não são obesas, mas apresentam algum problema relacionado à estética. De acordo com ele, são pessoas que pesam 55kg, por exemplo, e tomam esses remédios para perder cerca de 2 quilos. Estando essas pessoas sujeitas a sofrerem mais com os efeitos colaterais.
Para tratar a obesidade é necessário um trabalho progressivo para que seja eficaz. Utilizar medicamentos querendo resultados cada vez mais rápidos para chegar ao peso desejado pode resultar em outros problemas e acarretar um aumento de peso rebote.
O remédio usado com este objetivo causa diferentes ações no organismo e muitos efeitos colaterais.O uso sem prescrição médica dessas substâncias pode causar efeitos como irritação, insônia, ansiedade, taquicardia, dor de cabeça, dependência, diarréia, deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), perda muscular, e etc.
Para um bom resultado é necessário o acompanhamento de um profissional especializado, respeitando o quadro do paciente e o uso determinado na indicação.
A Jife enfatiza a importância de uma posição do governo no controle desses medicamentos. Segundo a Junta, a tendência de consumo dessas substâncias deve ser vigiada, identificando possíveis exageros para que seja feito um controle dos canais internos de distribuição.
Deve-se dá atenção também aos medicamentos que são vendidos ilegalmente pela Internet. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão responsável pela fiscalização dos medicamentos, disse que estabeleceu um convênio com a Polícia Federal para localizar e fechar os sites que fazem esse tipo de comércio.
O controle do governo sobre o uso dessas substâncias é fundamental.
No entanto, ter consciência dos problemas que esses remédios podem causar, serve para mudar a atitude das pessoas em relação ao uso e abuso desses medicamentos, procurando formas mais saudáveis de melhorar não smente a aparência, mas também a saúde.
Consulte o Nutricionsita e saiba como fazer isso.
 Bem estar e qualidade de vida: Alimente essa idéia!

Texto adaptado da matéria: http://www.mundodastribos.com/os-riscos-dos-remedios-para-emagrecer.html

domingo, 25 de setembro de 2011

Conhecendo melhor o Diabetes



O diabetes melito é um distúrbio metabólico caracterizado por concentrações elevadas de glicemia plasmática (hiperglicemia) resultantes da incapacidade parcial ou total do pâncreas em produzir e secretar este hormônio, responsável por transportar a glicose para o interior das células. A American Diabetic Association (ADA, 2008) classifica o diabetes como:
  • Pré-diabetes
  • Diabetes melito tipo 1
  • Diabetes melito tipo 2
  • outros tipos de diabetes
PRÉ-DIABETES

Também conhecido como intolerância à glicose ou resistência à insulina, o pré-diabetes surge quando as células começam a apresentar dificuldades para a absorver a glicose, mesmo quando o pâncreas ainda produz insulina.
O diagnóstico laboratorial pode ser realizado pelo teste de tolerância oral à glicose (TTOG), quando a glicemia se encontra entre 140 e 200mg/dl duas horas após a sobrecarga com 75g de glicose via oral. O TTOG deve ser realizado quando a glicemia de jejum se encontra entre 100 e 125mg/dl.
Como normalmente não há sintomas, é importante sua investigação na presença de duas ou mais das seguintes características:
  1. idade superior a 45 anos;
  2. execesso de peso ou obesidade;
  3. sedentarismo;
  4. hipertensão arterial;
  5. elevação dos lipídios plasmáticos;
  6. história familiar de diabetes.
DIABETES MELITO TIPO 1

É uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células produtas de insulina. Isso ocorre porque o sistema imunológico passa a reconhecer essas células como substâncias estranhas, atacando-as e destruindo-as progressivamente. É diagnosticado principalmente na infância. Os sinais e sintomaos mais comuns são: sede excessiva, vontade de urinar excessiva, perda de peso, fome exagerada, visão embaçada, infecções repetitivas de pele e mucosa, dificuldade de cicatrização de feridas e muito cansaço. Neste caso, o tratamento consiste em uso de insulina, que é prescrito pelo Médico com base na terapia dietética (contagem de carboidratos) realizado pelo Nutricionista.

DIABETES MELITO TIPO 2

Este tipo de diabetes pode iniciar décadas antes de seu diagnóstico. É decorrente da resistência à insulina, que ocorre quando a insulina secretada não consegue promover a entrada de glicose na célula, ocasionando hiperglicemia.
Episódios recorrentes de hiperglicemia fazem com que o pâncreas eleve ainda mais a produção de insulina (hiperinsulinemia), debilitando progressivamente o órgão até que este pare totalmente de produzir e secretar o hormônio.
O diabetes tipo 2 tem como causas principais os fatores hereditários, a obesidade e o sedentarismo. Os sinais e sintomas clássicos incluem: infecções frequentes, excesso de peso ou obesidade, sedentarismo, história familiar, visão embaçada, dificuldade na cicatrização de feridas e formigamento nos pés.
O tratamento consiste no uso de hipoglicemiantes orais e terapia dietética.

Vale lembrar que a maioria dos danos causados pelo diabetes melito não controlado é silenciosa, ou seja, ocorre lentamente antes que seja percebida. Por isso, torna-se importante o controle glicêmico através da adesão completa do tratamento medicamentoso e dietético.
É importante fazer o acompanhamento rotineiro com o Médico e o Nutricionista.

Bem estar e qualidade de vida: alimente essa idéia!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Efeitos da soja na saúde humana.


O efeito funcional da soja mais comprovado é a melhora do perfil lipídico, incluíndo redução de colesterol total, LDL e triglicérideos, sem aumento significante de HDL. Além disso apresenta efeitos antiinflamatórios decorrentes de suas proteínas, das isoflavonas e de ácidos graxos W-3.
A soja e seus derivados têm efeito redutor do estresse oxidativo e modulam a função endotelial, fatores importantes na gênese de doenças cardiovasculares. As isoflavonas melhoram a resistência das células endoteliais a agressões e induzem relaxamento vascular.
Os componentes da soja possuem efeito antiproliferativo, com efeito protetor contra cânceres. Além disso, estudo observacionais associam a presença de soja na dieta com prevalência reduzida de tumores malignos de mama, próstata e cólon.
Estudo observacionais têm demostrado também menor incidência de osteoporose após a menopausa em mulheres nas populações com dieta rica em soja, associam-se esses resultados à ação estrogênica.
A soja é rica em proteínas de boa qualidade, possui ácidos graxos poliinsaturados e compostos fitoquímicos como: isoflavonas, saponinas, fitatos, dentre outros. Também é uma excelente fonte de minerais como: cobre, ferro, fósforo, potássio, magnésio, manganês e vitaminas do complexo B.
Alimentos que contenham ao menos 6,25g de proteína por porção, tendo como base no consumo mínimo de 25g de proteína de soja por dia reduz o "risco de doenças cardiovasculares", equivale ao consumo de 4 porções ao dia. Para otimizar a absorção, recomenda-se dieta equilibrada, ênfase em complexo B e magnésio, além de assegurar bom trânsito intestinal com flora intestinal sadia.

Conteúdo de isoflavona/proteína de soja (ideal em torno de 2mg/g):

Grão de soja: 2 a 4 mg de isoflavona/g de soja;
Missô: 0,6 a 0,8 mg/g;
Tofu: 0,2 a 0,5 mg/g;
Salsicha de soja e iogurte de soja: 1/10 grão de soja.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

NUTRIÇÃO E SAÚDE BUCAL NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA


As doenças bucais são as mais freqüentes entre as doenças crônicas. Entre os agravos destaca-se a cárie dentária, que continua a afetar bebês, pré-escolares e escolares em todo o mundo.

Atualmente admite-se imprópria a orientação de que para não ter cárie, “a criança pode comer o que e quando quiser, desde que escove os dentes depois”. Pois, a dieta, particularmente rica em carboidratos refinados, é uma variável de importância crucial no processo de cárie dentária.

O papel da sacarose

A sacarose é o mais cariogênico de todos os carboidratos, uma vez que:

v Difunde-se rapidamente pela placa bacteriana, sendo fermentada até ácido lático ou outros ácidos que dissolvem o tecido dentário

v É parcialmente armazenada como polissacarídeo intercelular pelas bactérias para ser utilizada entre as refeições

v Atua como substrato para a produção de depósitos extracelulares, o que confere adesividade à placa dentária e favorece a colonização por microorganismos

A introdução da sacarose no primeiro ano de vida, época em que estão rompendo os primeiros dentes, permite a implantação e colonização das novas superfícies dentárias por bactérias cariogênicas, portanto é recomendado que sua introdução seja, de preferência, após os 12 meses.

Deve-se estimular o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses; e a partir de então, introduzir os alimentos sólidos de modo que a alimentação da criança em torno dos 12 meses seja semelhante à da família.

Sabe-se que os indivíduos que se alimentam de 5 a 6 vezes ao dia tem quedas de pH na cavidade bucal que iniciam junto ou imediatamente após o consumo do alimento e permanecem por 30 a 60 minutos. Assim, os intervalos entre as refeições permitem o retorno do pH à neutralidade.

Entretanto, o hábito alimentar caracterizado por constantes “beliscadas” de carboidratos faz com que o pH bucal permaneça constantemente em um nível considerado crítico (pH<5,5),>

Contudo o consumo de sacarose logo após as refeições, em forma de “sobremesa”, parece não exercer papel cariogênico, pois há aumento no fluxo salivar junto e logo após as refeições, permitindo que os ácidos bacterianos sejam neutralizados mais rápido.

O uso de mamadeira para fazer a criança adormecer provoca diminuição do fluxo salivar que ocorre durante o sono, podendo levar a “cárie de mamadeira”, na qual os dentes superiores anteriores manifestam inicialmente manchas brancas que, em poucas semanas, transformam-se em cavidades, restando logo após apenas as raízes.

O aleitamento materno em livre demanda após os 12 meses não é recomendado, pois está associado à ocorrência de cárie precoce na infância e risco de carências nutricionais.

Artigo publicado na Revista da ABO de Nova Iguaçu, Ano 1, Edição 1, Dezembro de 2010.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Alimentos Funcionais

         Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e ao mesmo tempo o crescente aparecimento de doenças crônicas como obesidade, aterosclerose, hipertensão, osteoporose, diabetes e câncer, está havendo uma preocupação maior, por parte da população e dos órgãos públicos de saúde, com a alimentação.
        Hábitos alimentares adequados como o consumo de alimentos pobres em gorduras saturadas e ricos em fibras presentes em frutas, legumes, verduras e cereais integrais, juntamente com um estilo de vida saudável (exercícios físicos regulares, ausência de fumo e moderação no álcool) passam a ser peça chave na diminuição do risco de doenças e na promoção de qualidade de vida, desde a infância até o envelhecimento.
        O papel da alimentação equilibrada na manutenção da saúde tem despertado interesse pela comunidade científica que tem produzido inúmeros estudos com o intuito de comprovar a atuação de certos alimentos na prevenção de doenças. Na década de 80, foram estudados no Japão, alimentos que além de satisfazerem às necessidades nutricionais básicas desempenhavam efeitos fisiológicos benéficos. Após um longo período de trabalho, em 1991, a categoria de alimentos foi regulamentada recebendo a denominação de "Foods for Specified Health Use" (FOSHU). A tradução da expressão para o português é Alimentos Funcionais ou Nutracêuticos.
      Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), alimentos funcionais são aqueles que produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos através da atuação de um nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento, manutenção e em outras funções normais do organismo humano.
       De acordo com a ANVISA, o alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais, além de atuar em funções nutricionais básicas, irá desencadear efeitos benéficos à saúde e deverá ser também seguro para o consumo sem supervisão médica.
    O surgimento recente desses novos produtos que trazem um "algo mais", além dos nutrientes já conhecidos, teve influência de fatores como: os altos custos com o tratamento de doenças, o avanço nos conhecimentos mostrando a relação entre a alimentação e o binômio saúde/doença e os interesses econômicos da indústria de alimentos.
     É importante salientar que antes do produto ser liberado para o consumo deve obter registro no Ministério da Saúde e, para isso, precisa demonstrar sua eficácia e sua segurança de uso. O fabricante deve apresentar provas científicas comprovando se a alegação das propriedades funcionais referidas no rótulo são verdadeiras e se o consumo do produto em questão não implica em risco e sim, em benefício à saúde da população. Lembrando ainda que as alegações podem fazer referências à manutenção geral da saúde, à redução de risco mas não à cura de doenças.
       As propriedades relacionadas à saúde dos alimentos funcionais podem ser provenientes de constituintes normais desses alimentos como no caso das fibras e dos antioxidantes (vitamina E, C, betacaroteno) presentes em frutas, verduras, legumes e cereais integrais ou através da adição de ingredientes que modifiquem suas propriedades originais exemplificada por vários produtos industrializados, tais como: leite fermentado, biscoitos vitaminados, cereais matinais ricos em fibras, leites enriquecidos com minerais ou ácido graxo ômega 3.
     Um ponto que vale a pena ser comentado, é o fato de alguns alimentos industrializados possuírem concentrações muito baixas dos componentes funcionais, sendo necessário o consumo de uma grande quantidade para a obtenção do efeito positivo mencionado no rótulo. No caso do leite enriquecido com ômega 3, por exemplo, seria mais fácil e vantajoso, o consumidor continuar ingerindo o leite convencional e optar pela fonte natural de ômega 3 que é o peixe. Primeiro, porque normalmente os produtos industrializados com ação funcional são mais caros, segundo pois o peixe tem outros nutrientes importantes a oferecer como proteínas de boa qualidade, vitaminas e minerais. Portanto, o produto contendo a substância funcional não substitui por completo, o alimento de onde foi retirado tal composto, uma vez que apresenta apenas uma característica deste.
      Ainda em relação aos produtos industrializados com caráter funcional, é importante esclarecer que o simples consumo desse tipo de alimento, com a finalidade de obter um menor risco para o desenvolvimento de doenças, não atingirá o objetivo proposto se não for associado a um estilo de vida saudável levando em consideração principalmente, a alimentação e a atividade física.
        Por fim, uma alimentação equilibrada e variada incluindo, diariamente, alimentos de todos os grupos na proporção correta já fornece alimentos com propriedades funcionais naturais, sendo desnecessária a aquisição de produtos funcionais industrializados normalmente com custo mais elevado para obter os nutrientes essenciais e os benefícios à saúde.
        Na tabela abaixo, estão descritos alguns exemplos de compostos presentes nos alimentos funcionais e seus respectivos benefícios à saúde.


Bem estar e Qualidade de vida: Alimente esta idéia!